
MENSAGEM DA LIDERANÇA

O ano de 2025 foi repleto de desafios para o agronegócio brasileiro. Segundo a Serasa Experian, o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial ao longo do ano — alta de 56,4% em relação a 2024 e o maior volume desde o início da série histórica, iniciada em 2021. Também a mesma empresa anunciou um aumento de 500% na inadimplência no setor em relação a média histórica.
A esse cenário somaram-se as incertezas do conflito comercial com os Estados Unidos, nosso segundo maior parceiro comercial, juros elevados que dificultaram a tomada de crédito em toda a cadeia produtiva e condições climáticas que impactaram
negativamente diversas culturas.
Porém, nós da Amazon Agrosciences acreditamos que em toda dificuldade há oportunidade. 2025 também foi um ano de conquistas para o nosso setor. A utilização de bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/2025 no Brasil, com crescimento médio anual de 22% nos últimos três anos — taxa quatro vezes superior à média global, segundo a CropLife Brasil.
E o ambiente regulatório avançou: o Ministério da Agricultura e Pecuária registrou 162 novos bioinsumos em 2025, o maior número já registrado na história do país, incluindo produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos e extratos vegetais. Diante desse contexto, enxergamos também a oportunidade de aumentar a nossa transparência e estreitar os laços com todos os nossos stakeholders — clientes, pesquisadores, fornecedores, parceiros e comunidades. Por isso, tomamos a decisão de elaborar, de forma totalmente voluntária, o nosso primeiro Relatório de Sustentabilidade. Não somos uma empresa de capital aberto, não estamos listados na B3 e não temos qualquer obrigatoriedade para isso — mas acreditamos nos valores de produzir mais preservando o meio ambiente, com ética e governança sólida.
Este é o começo de um processo contínuo. Para 2026, assumimos três compromissos quantitativos como ponto de partida: estabelecer uma linha de base consolidada do consumo de energia e água em nossa unidade; conseguir pelo menos 2 novos registros de bioinusmos; e destinar um orçamento formal e rastreável para iniciativas ESG, reportando sua aplicação na próxima edição deste relatório.
Continuaremos firmes, acreditando na pesquisa brasileira, na força dos bioinsumos e no papel que empresas como a Amazon Agrosciences têm na construção de uma agricultura mais produtiva e mais responsável. Agradecemos a cada cliente, parceiro, fornecedor, colaborador e membro da comunidade que participou da nossa pesquisa de materialidade e que, de alguma forma, contribui para que possamos chegar mais longe — sempre com mais transparência, mais propósito e mais ciência



COMPROMISSOS FIRMADOS
A Amazon Agrosciences reconhece a importância do tríplice pilar da sustentabilidade – ambiental, social e econômico. Por isso, mesmo sem a obrigatoriedade legal, optamos por publicar nosso primeiro Relatório de Sustentabilidade. Acreditamos que transparência, integridade e diálogo com nossos stakeholders são fundamentais para construir o futuro do agronegócio brasileiro. Este documento expressa nosso compromisso de evoluir continuamente e de demonstrar, na prática, que é possível produzir de forma eficiente, inovadora e responsável. Como esta é nossa primeira edição, nossos compromissos têm um caráter estruturante. Assumimos o compromisso de:
• Iniciar o mapeamento dos temas materiais mais relevantes para a empresa e para nossos stakeholders, criando as bases para uma agenda ESG consistente.
• Monitorar, pela primeira vez, indicadores-chave (KPIs) ESG, como investimentos em Saúde e Segurança do Trabalho, consumo de energia, uso de água e percentual de energia renovável.
• Garantir recursos financeiros para essa jornada, com orçamento aprovado e já destinado às iniciativas de sustentabilidade.
MATERIALIDADE
Para termos um diagnóstico inicial e definir de forma mais clara nossas ambições e compromissos ESG, realizamos nosso primeiro Estudo de Materialidade, seguindo as orientações do padrão GRI (3-1 e 3-2). Esse processo nos permitiu identificar os temas que são mais relevantes para a sustentabilidade da Amazon Agrosciences e para nossos stakeholders,
considerando o contexto do setor, as expectativas do mercado e sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A pesquisa contou com 21 temas materiais, agrupados nos pilares Ambiental (E), Social (S) e Governança (G):
A Pesquisa de Materialidade foi realizada entre os dias 2 de fevereiro e 2 de
março de 2025, com a participação de 123 respondentes, distribuídos entre
os principais grupos de stakeholders da empresa:
24 clientes
30 fornecedores
38 colaboradores
14 parceiros
4 representantes da comunidade
7 agentes governamentais
5 membros do conselho administrativo
Além da pesquisa quantitativa, conduzimos entrevistas em profundidade
com clientes e parceiros, que trouxeram insights valiosos sobre
expectativas, riscos e oportunidades para o fortalecimento da nossa
jornada ESG.
Este processo marca o ponto de partida de uma trilha contínua: a
partir daqui, nossos esforços serão guiados pela relevância dos temas
identificados e pelo compromisso de evoluir com responsabilidade,
transparência e diálogo.
Ambiental (E)
– Uso eficiente da água
– Gestão de resíduos
– Emissões de carbono
– Uso de energias renováveis e eficiência
energética
– Impacto ambiental dos produtos
– Certificações ambientais
– Soluções agrícolas sustentáveis
– Mudanças climáticas
Social (S)
– Segurança no trabalho e saúde dos
colaboradores
– Desenvolvimento profissional
– Acesso e equidade no mercado de
trabalho
– Relacionamento com a comunidade
– Impacto social dos produtos
– Condições de trabalho e valorização
Governança (G)
– Ética nos negócios e compliance
– Transparência e comunicação
– Governança corporativa e gestão de riscos
– Crescimento econômico e operacional
– Proteção de dados e privacidade
– Inovação e pesquisa
– Atendimento ao cliente
TEMAS MATERIAIS
Os temas materiais são aqueles que concentram os impactos mais relevantes da nossa atuação e as maiores expectativas dos nossos stakeholders. São eles que orientam as prioridades deste relatório e, a partir de agora, nortearão a evolução da nossa agenda ESG.
A matriz de materialidade posiciona cada tema de acordo com dois eixos: a relevância atribuída pelos stakeholders consultados (eixo Y) e a relevância percebida internamente pela companhia (eixo X).
Os temas localizados no quadrante superior direito — onde as duas perspectivas convergem com maior intensidade — representam as prioridades mais estratégicas para a Amazon Agrosciences.
Dois temas se destacaram com maior pontuação em ambos os eixos: Segurança no Trabalho e Saúde dos Trabalhadores e Atendimento ao Cliente. O resultado reforça algo que já faz parte da nossa cultura: cuidar das pessoas — sejam os colaboradores dentro das nossas operações, sejam os produtores rurais que dependem das nossas soluções no campo — é inegociável.
Esses temas são abordados ao longo deste relatório e servirão como base para a definição de metas e indicadores nos próximos ciclos de reporte.

Legenda:
1. Uso eficiente da água;
2. Gestão de resídos;
3. Emissões de carbono;
4. Uso de energias renováveis e
eficiência energética;
5. Impacto social dos produtos;
6. Certificações ambientais;
7. Soluções agrícolas sustentáveis;
8. Mudanças climáticas;
9. Segurança no trabalho e saúde
dos colaboradores;
10. Desenvolvimento profissional;
11. Acesso e equidade no mercado
de trabalho;
12. Relacionamento com a
comunidade;
13. Impacto ambiental dos produtos;
14. Condições de trabalho
e Valorização;
15. Ética nos negócios e compliance;
16. Transparência e comunicação;
17. Governança corporativa e
gestão de riscos;
18. Crescimento econômico e
operacional;
19. Proteção de dados e privacidade;
20. Inovação e pesquisa;
21. Atendimento ao cliente;
RISCOS, OPORTUNIDADES E ODS
A partir dos temas materiais identificados na pesquisa com stakeholders, realizamos uma análise de riscos e oportunidades ESG vinculada a cada tema prioritário. O objetivo foi compreender, de forma estruturada, quais impactos negativos podem afetar a empresa, seus colaboradores e o ambiente em que operamos — e, ao mesmo tempo, identificar as oportunidades que surgem quando esses temas são geridos de forma proativa. Cada risco foi classificado por nível de impacto e probabilidade, e associado a um tipo de resposta (evitar, mitigar, transferir ou aceitar), além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) correspondentes. Essa análise é o primeiro passo para a construção de um plano de ação ESG com metas e indicadores mensuráveis. A análise revela que os três riscos de maior nível — impacto ambiental dos produtos, segurança no trabalho e inovação/pesquisa — convergem diretamente com as prioridades já apontadas pela matriz de materialidade e com ações concretas que a empresa vem adotando.
Os dados da análise em questão foram reunidos na tabela disponível na próxima página.
No pilar ambiental, a instalação do novo tanque de 10.000 litros, com redução estimada de 15 a 20% no consumo de energia por litro produzido, é um primeiro movimento de eficiência operacional que dialoga com os riscos relacionados a energia e emissões. O compromisso de estabelecer, em 2026, uma linha de base consolidada de consumo de energia e água criará as condições para metas quantitativas nos próximos ciclos.
No pilar social, o tema de maior pontuação — segurança no trabalho e saúde dos colaboradores — já conta com investimentos em SST que passaram a ser monitorados neste ciclo, além de iniciativas como o Desafio Strava, a SIPAT e as campanhas de saúde, que traduzem a cultura de cuidado com as pessoas.
No pilar de governança, o risco mais expressivo está na inovação e pesquisa, área em que a empresa tem respondido com parcerias estratégicas — EMBRAPII/UFSCar, IAC/CiaCamp, EMBRAPA — e com o lançamento do Nanogran. A meta de obter ao menos 2 novos registros de bioinsumos em 2026 reforça esse direcionamento.
Esta primeira análise de riscos e oportunidades será revisitada anualmente, com a evolução dos indicadores e a incorporação de novos dados que permitam refinar as respostas e acompanhar a efetividade das ações implementadas.



OPERAÇÕES E NEGÓCIOS

Infraestrutura e Capacidade Produtiva
Instalação de Tanque de 10.000 Litros para Produção de Fertilizantes
O setor de produção recebeu um novo tanque de 10.000 litros para fabricação de fertilizantes
nitrogenados (com foco em nitratos), organominerais e minerais. A instalação gerou um aumento de 25% na capacidade operacional em relação ao tanque de inox de 5.000 litros anteriormente
utilizado, que operava a apenas 30% de sua capacidade nominal. O equipamento também
incorpora controles operacionais e recursos de automação que elevam a segurança de processo.
Com maior volume produzido por batelada, reduz-se o número de ciclos necessários e,
consequentemente, o tempo de operação dos equipamentos auxiliares — motores, agitadores,
bombas e compressores. Estima-se uma redução de 15 a 20% no consumo de energia elétrica
por litro de produto acabado nesta linha, contribuindo diretamente com os objetivos de eficiência
energética monitorados pela empresa.
Incentivo à Saúde
Desafio Strava – Amazon Agrosciences
Em 2025, realizamos duas edições do Desafio Strava, iniciativa semestral que incentiva
colaboradores, parceiros e clientes a adotarem hábitos mais saudáveis por meio da
prática regular de exercícios físicos. A ação, registrada e monitorada pela plataforma
Strava, contempla 8 modalidades esportivas — entre corrida, caminhada, ciclismo,
natação e musculação — e conta com premiação para os melhores colocados,
reforçando o engajamento e o espírito de superação entre os participantes.
Ao longo do ano, mais de 25 participantes acumularam juntos 291 horas de exercício e
percorreram 1.519 km, consolidando o desafio como uma das principais ações do pilar
social da empresa e evidenciando o compromisso da Amazon Agrosciences com a
saúde, o bem-estar e a qualidade de vida de seus colaboradores e parceiros.

OPERAÇÕES E NEGÓCIOS
Pesquisa, Desenvolvimento e Parcerias
Ao longo do período, a Amazon Agrosciences avançou em parcerias estratégicas com instituições de pesquisa nacionais. A empresa assinou contratos com a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), por meio da UFSCar — instituição que conecta empresas a centros de pesquisa credenciados para o desenvolvimento conjunto de tecnologias —, nas áreas de fabricação nacional de aminoácidos para uso na agricultura e de produção de microalgas para aplicação em bioinsumos. Essas iniciativas reforçam o papel da Amazon Agrosciences como fomentadora da ciência brasileira.
Foi também renovado o contrato de parceria institucional e técnica com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a CiaCamp, voltado ao desenvolvimento e à aplicação da tecnologia patenteada NAC na agricultura. Paralelamente, avançaram conversas com a EMBRAPA, abrindo perspectivas promissoras para novos projetos de pesquisa colaborativa.
No âmbito do portfólio, o período foi marcado pela estreia do Nanogran no mercado — adjuvante agrícola inovador formulado a partir de um blend de óleos essenciais encapsulados em nanopartículas lipídicas, que potencializa a eficácia de outros insumos agrícolas, inclusive em associação com defensivos.

OPERAÇÕES E NEGÓCIOS
Comercial e Acesso ao Mercado
Em um cenário adverso para o agronegócio brasileiro, marcado pela retração de receita em diversas empresas do setor e pela entrada de grandes grupos de revendas em recuperação extrajudicial, a Amazon Agrosciences demonstrou resiliência ao sustentar seu faturamento e avançar na diversificação estratégica de sua carteira de clientes.
Um dos movimentos mais relevantes do período foi a recomposição dos canais de venda. A dependência histórica da distribuição foi significativamente reduzida, com expressiva migração para vendas diretas e B2B — reflexo da expansão da base de cooperativas e da abertura de novos clientes diretos.
No segmento B2B, a empresa consolidou sua atuação como fabricante para terceiros, atendendo empresas que buscam formulações próprias ou produtos Amazon sob marca própria. O período foi marcado pelo contato com grandes indústrias dos setores de nutrição vegetal e biodefensivos, incluindo multinacionais que iniciaram a validação dos produtos em campo, movimento que abre perspectivas relevantes para novos contratos.
A internacionalização também avançou. Pela primeira vez, a Amazon Agrosciences exportou para Argentina, e México. Na Argentina, a operação conta com distribuidor local estabelecido e perspectiva concreta de expansão, já o México representa operação-piloto, com potencial de continuidade.


